
P ara quem gosta de cultura antiga, principalmente aos que se ocupam com os estudos dos semitas hebreus, vale a pena conferir o Museu da Torah.
site: http://www.torahmuseum.com/

P ara quem gosta de cultura antiga, principalmente aos que se ocupam com os estudos dos semitas hebreus, vale a pena conferir o Museu da Torah.
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Durante alguns anos do passado recente, no Brasil, dizer-se “historiador econômico” era ser avaliado como um marxista em um momento em que a ideologia da Guerra Fria influenciava as nações e a ditadura militar da década de 60 reprimia as visões historiográficas que se distanciavam dos interessem dos grupos que estavam, naquele momento, no poder. Logo, a História Econômica foi sendo abarcada pelos Economistas, que fizeram bons trabalhos. Mesmo antes desse período, a História Econômica fora dominada mais pelo campo da Economia do que da História. Aos poucos, a História Econômica ficou relegada à segundo ou terceiro plano e outros ramos da História passaram a vigorar na academia.
A volta dos estudos sobre História Econômica e, principalmente, da produção de trabalhos científicos desta disciplina, vêm de encontro aos novos interesses da historiografia atual, que é muito mais complexa graças às novas técnicas de pesquisa, metodologias e visões que surgiram nesses últimos anos, ou mesmo própria celebração dos “500 anos do Descobrimento” fez aflorar toda uma pesquisa nos vários campos da História, incluindo a História Econômica. Aos poucos, os historiadores econômicos e economistas vem trabalhando, juntos, para responder as lacunas existentes e lançar novas releituras sobre o passado procurando entender com mais precisão a formação da história do Brasil.
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No começo do século passado, a historiografia estava repleta dos elementos característicos de um modo de pensar a História de forma factual e a função do historiador era coordenar tais “fatos históricos” e registrá-los de forma coerente e cronológica. Para os historiadores, o “fato histórico”, seria aquele “que não se repetiria” (Ciro Flamarion), e o historiador imparcial identificaria e catalogaria todos. Em sua maioria, os fatos tratados eram de cunho administrativo – político, religioso ou diplomático – e raramente econômico ou social. Essa era, a grosso modo, a linha de pensamento consagrada pela Escola Positivista.
Nossa história é repleta de tais elementos. Os manuais de História do Ensino Fundamental e Médio ainda conceitua a história por esse modelo. Nesse sentido, a Ciência Histórica passa a ser entendida pelos estudantes como um ramo de estudo estático, subjetivo, teleológico e progressista. O “progressismo” evidência uma base positivista dentro do ato histórico ensinado nas escolas de nível primário e secundário. Para François Furet:
“... como o acontecimento – irrupção súbita do único e do novo na cadeia do tempo – não pode ser comparado com nenhum antecedente, o único modo de integrá-lo à história consiste em atribuir-lhe um sentido teleológico: se ele não tem um passado terá um futuro. É como a história se desenvolveu, desde o século XIX, como um modo de interiorização e conceituação do sentimento do progresso, o “acontecimento” indica, quase sempre, a etapa de um advento político ou filosófico: República, liberdade, democracia, razão. Esta consciência ideológica da história pode assumir formas mais refinadas; pode reorganizar o saber adquirido sobre determinado período em torno de esquemas unificadores menos diretamente ligados a escolhas políticas ou a valores [como, por exemplo, “visão de mundo”; comentário nosso]; mas ela traduz, no fundo, o mesmo mecanismo de compensação: para ser inteligível, o acontecimento precisa de uma história global definida fora e independente dele. Daí vem esta concepção clássica do tempo histórico como uma série de descontinuidades descritas de modo contínuo, que é naturalmente a narração.” (François Furet, 1971)[1]
Na década de 1930, March Bloch, Lucien Febvre, Ernest Labrousse, Simiand e outros, agregaram elementos diferenciados à historiografia de seu tempo e o tratamento das informações coletadas ganharam um certo elemento metodológico e qualitativo, inaugurando a Escola dos Annales. Os termos conjuntura, estrutura, modelos e quantificação, emprestados de outras ciências, passaram a ter o tom determinante na historiografia deste período, influenciando até os dias atuais.
Mas o estudo quantitativo (história serial) também proporcionou uma nova abordagem no campo da epistemologia e de mudanças qualitativas. Logo, o estudo dos “fatos singulares” e não repetidos no tempo desmoronou e os historiadores lançaram-se a uma nova face: a dos ciclos e repetições da vida econômica e suas conseqüências sociais.
Esses elementos novos, agregados ao velho tema da história política e administrativa, provocou um enriquecimento basilar para a historiografia contemporânea. O estudo da demografia (que não deixa de ser um pouco da história quantitativa) demostrou a preocupação para a história das massas, ao contrário da velha tendência da história da elite dirigente. A História passou de ser uma ciência de registro a uma ciência de análise.
Logo, a História Econômica veio ganhando força dentro do contexto e a Economia passou e interferir-se na História Econômica e vice-versa. Elementos das duas ciências foram somando-se mutuamente. Para suas próprias análises econômicas, os economistas lançaram mão de História Econômica, como foi o caso de Hamilton[2], nos EUA, que estudou os afluxos do ouro na inflação dos preços, colocando em evidência a “história monetarista".
A História Econômica é muito recente, se compararmos às demais áreas da História. Ela se firmou como ciência entre os século XIX e XX, na formação do capitalismo industrial . A Riqueza das Nações (1776), de Adam Smith passa a ser um importante marco na historiografia econômica, mas foi Frederick Morton Eden que faz o pioneiro estudo sobre a pobreza das classes trabalhadoras na Inglaterra. Mas foi na Alemanha que a História Econômica se configurou como disciplina na Escola Histórica de Economia, inaugurada por Fredrich List, opondo-se à Escola Clássica de Economia Política de David Ricardo. A principal contribuição desta escola foi a utilização do método empírico-indutivo em oposição ao lógico–dedutivo, de Ricardo. O próprio termo de História Econômica foi cunhada por Karl Ianna-Sternegg nos três tomos do Deutsche Wirtschaftsgeschichte (1879-99) e na revista alemã de Vierteljahrschrift für Sozail und Wirtschaftsgeschichte, inaugurada em 1903 e circulando até os dias de hoje.
Nos Estados Unidos a História Econômica chocou as classes hegemônicas norte-americana e favoreceu uma série de discursos políticos, como foi o caso de Charles Beard, que, ao ler os escritos dos “pais da nação” descobriu a importância que tinha para eles os problemas de ganhos e deu-se conta de que pensavam na constituição americana como um documento econômico[3]. Conrad e Meyer derrubam a teoria do escravismo como tendendo ao desaparecimento pela incompatibilidade capitalista ao estudar as regiões do sul e Robert Fogel cria um modelo que contestava o desenvolvimento econômico norte-americano pelas ferrovias e relativizava os ganhos da sociedade, no que ele chama de “economia social”.
Na Europa, a “novíssima” Escola Histórica Alemã, inaugurada por Max Weber, Werner Sombart e Arthur Spiethoff lançava-se em uma visão e metodologia diferente da marxista e a Economia Neoclássica. Nessa escola, o preponderante foi a análise histórica propriamente dita.
Em 1930, quando o advento da crise impulsionou a Escola dos Annales, chega ao Brasil a História Econômica amparada em grande estilo por Caio Prado Jr. e Celso Furtado, que passam a cruzar os documentos e análises históricas às teorias econômica.
A História é uma rede de múltiplas e facetadas variáveis interligadas que devem ser revisadas e completadas constantemente para um melhor entendimento do presente e de sua relação orgânica com o passado.
No sentido da pesquisa histórica, a nossa historiografia recente tem-se mostrado muito dominada pela “Escola Paulista”[4], cujos pesquisadores crivaram com suas idéias a História no Brasil, divulgada em uma obra organizada pelo professor Carlos Mota chamada “Brasil em Perspectiva”. Até que ponto as teses paulistas se enquadram em Minas, no Rio ou no nordeste? Será que o problema da imigração como força de trabalho ocorreu em todo Brasil? Desta forma, a Escola Paulista mostrou-se falha ao entender o Brasil através dos modelos estabelecidos. A forma de vencer o “imperialismo paulista” é entender as intricadas relações regionais. Por isso, o estudo da história regional é basilar para se compreender diversos grupos e fatos sociais em uma amplitude maior que as dos modelos criados pelas escolas historiográficas anteriores. Isso não representa um abandono das antigas teorias, mas uma revisão geral.
Nesse sentido, centenas de pequenos pesquisadores no Brasil vem tratando com um outro olhar, através de novas fontes, a História. Esse é o caso da Escola Historiográfica de Juiz de Fora, talvez inaugurada pelo trabalho de mestrado do professor Anderson Pires, que estudou o capital agrário em Juiz de Fora em “Capital Agrário, Investimento e Crise na Cafeicultura de Juiz de Fora” e concluiu que o capital gerado pela região entre os períodos de 1870-1930 reteu-se nas unidades produtivas, no mesmo processo histórico do Rio de Janeiro, seguindo a mesma estrutura produtiva. Tal capital acumulado inverteu-se na produção urbano comercial e industrial com a crise da mão-de-obra, mostrando-se uma característica de reprodução econômica. Já o professor Luiz Fernando Saraiva entendeu as relações escravistas e sua transição para o trabalho livre e mostrou, na UFF, que os fazendeiros mineiros da Zona da Mata e do Vale tinha um sistema repressivo organizado e foram escravistas até o último momento antes da abolição, quebrando teses como a de Thomas Skidmore.
A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos do final do século XX. Quase todos os jovens que crescem hoje em um presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso, os historiadores, cujo ofício é lembrar o que os outros esqueceram, tornam-se mais importantes do que nunca no fim do segundo milênio.
BRIGNOLI, Héctor Perez & CARDOSO, Ciro Flamarion. Os Métodos da História. 2. ed. Rio de Janeiro: Graal, 1981.
HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos. São Paulo, Cia das Letras, 2001.
ARRUDA, J. Jobson. O Brasil no Comércio Colonial. São Paulo, Ática, 1980.
[1] In: BRIGNOLI, Héctor Perez & CARDOSO, Ciro Flamarion. Os Métodos da História. Rio de Janeiro: Graal, 1981, págs. 22-3.
[2] “Monetary Inflacion in Castile, 1598 – 1660”
[3] Nas cartas de Madison, referindo-se à Constituição, lê-se “diversidade nas faculdades dos homens, da qual emanam os direitos de propriedade”.
[4] Cabe aqui ressaltar que o presente artigo não é uma crítica à Escola Paulista, da USP, pelo qual se destacam Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso, e outros. Pelo contrário, seus estudos são dignos de respeito, credibilidade e admiração.
O Codex Sinaiticus foi disponibilizado para consulta via net. Esse manuscrito em grego é composto de milhares de fragmentos contendo o Velho e Novo Testamento. O mais interessante é que muitas pessoas tem a idéia de que a Bíblia (na mais antiga versão) é muito parecida com a que se tem hoje, encadernada e conservada. Ao visitar o site, pode-se perceber a real dimensão de um objeto arqueológico e histórico e imaginar a dificuldade do trabalho de tradução.
O endereço é:
O Centro Cultural Pró-Música, de Juiz de Fora, MG, realiza, de 19 de julho a 1º de agosto, a 20ª edição de seu Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga.
As inscrições já estão abertas para 39 cursos nas áreas de cordas, sopro, orquestra, vozes e didática da musicalização, ministrados por 46 professores provenientes de várias cidades do Brasil e do exterior.
O destaque deste ano ficará por conta do workshop ministrado pelo violinista barroco Sigiswald Kuijken, pioneiro, na Europa, do movimento da música antiga com instrumentos de época.
E na programação cultural destacamos os 30 concertos − todos com entrada franca − em teatros e espaços públicos. Além de formações orquestrais e grupos brasileiros e estrangeiros, o Festival recebe, este ano, uma das maiores estrelas brasileiras da música erudita, o violoncelista Antonio Meneses.
Em duas décadas de história, o Festival envolveu o trabalho, a dedicação e o apoio de milhares de pessoas, e encantou outras centenas de milhares. Esse caminho, pautado pela busca incessante da qualidade, resultou em produtos culturais e bens imateriais, mas também em reconhecimento e premiações.
informações:
Recentemente, na Folha de São Paulo (05/07/2009), o Prof. Dr. Naomar de Almeida Filho, reitor da UFBA, discutiu 4 teses sobre o papel da universidade em um mundo que sofreu violentas transformações nos últimos 30 anos. Para ele, há 4 grandes visões sobre o papel das universidades:
1. Visão de Bourdieu: pessimista – para Pierre Bourdieu, a universidade é uma reprodução e reprodutora das estruturas de classes da sociedade. como é uma instituição elitista, confirma seu manto de guardiã da cultura dominante e formadora de quadros dirigentes, detentora de conhecimentos e do capital simbólico.
2. Visão de Anísio Teixeira: revolução pacífica – defende a revolução democrática, pacífica e sustentável, viabilizada pela universalização dos níveis iniciais - determinante na formação de cidadania, igualdade social e emancipação política - e por ampla oportunidade de acesso à formação universitária – determinante no desenvolvimento econômico e humano das nações. A questão que Neomar coloca a essa tese é: E se a universidade estiver em crise?
3. Visão de Boaventura Santos: realista – A missão da universidade é superar a crise de identidade da universidade velha, que á também a superação da sociedade de classes. Sua missão é superar a se comprometer coma transformação social gerando a etnodiversidade, epistemodiversidade e formando cidadãos críticos e engajados.
4. Visão de Milton Santos: visionária – A universidade tem que criar, tentar e realizar coisas que não haviam sido tentadas. A tese de Milton é uma metodologia que indica um caminho do “como fazer”.
As 4 visões formam um corpo de entendimento da situação atual, o que corresponde exatamente à crise de identidade que as universidades – públicas e privadas – veem passando no país. A missão e talvez o único caminho das universidades do século 21 sejam se entender enquanto Ensino Superior de um novo mundo que se abriu à globalização, ao avanço da internet, às novas lutas sociais –etnicas, culturais, políticas e econômicas – , buscar sua identidade e assumir o papel de transformadora e orientadora do novo mundo que se configura.
As questões pertinentes às sociedades de classes, no âmbito da universidade, devem ser superadas pois já se tornaram anacrônicas em um momento onde o interesse coletivo se supera, em muito, aos interesses particulares.
A nova universidade transformadora deve se transformar antes, na proposta de uma nova estrutura curricular que contemple a epistemodiversidade e etnodiversidade; a reorganização das práticas pedagógicas, que levem à discussão das diferenças que se integram a um todo coeso e a organização institucional, garantindo autonomia aos agentes que a compõe em uma discussão mais democrática do “como fazer”, de Milton.
MUSSA, Alberto. O Enigma de Qaf. Rio Janeiro: Record, 1994. 268 págs.
Seguindo a tradição do conhecido Mansur Challita (traduções dos textos de Gibran e do Corão sagrado), Albert Mussa nasceu no Rio de Janeiro e acabou por aventurar-se no mundo árabe. Sua infância perpassa os anos do governo militar no Brasil. Formado em Letras pela UFRJ, passou parte de sua vida intelectual escrevendo livros de inspiração oriental.
O Enigma de Qaf parece ter se tornado prematuramente a sua melhor obra onde o autor explora, a partir de um romance temperado de erudição, o mundo da literatura árabe pré-islâmica.
Na trama, encontramos o lendário poeta árabe Al-Gatash em sua busca pelo amor de uma mulher que ele teria visto apenas uma vez na tenda de um rico comerciante de camelos. A partir daí, Alberto Mussa viaja pela vasta cultura árabe, dedicando capítulos exclusivamente para o entendimento do mundo árabe pré-islâmico.
A obra traz uma leitura leve e agradável e o autor tende a se parecer com os estilo de Challita. Tudo nascera, na obra, a partir da inspiração de Mussa pelo poema “Qafiya al Qaf” recitado sempre pelo avô (Nagib) que o trouxe na memória do Líbano. O “Qafia al Qaf” faz parte de um dos únicos oitos poemas que restaram de toda cultura pré-islamica. Como a cultura do mundo tem sua pedra madre calcada nos povos do Oriente Médio e África (Egito e Mesopotâmia), o livro se torna um mergulho profundo na existência ancestral de nós mesmos.
De acordo com a Internet, o texto abaixo figura num anúncio divulgado na Espanha. Pode ser verdade, pode não ser. Mas seria ótimo se fosse!
O anúncio mostra um garotinho preto, de olhos grandes e redondos, sorriso de dentes muito brancos, com um quadro-negro onde está escrito:
Seu Cristo é judeu; sua escrita é latina; seus números são árabes; sua democracia é grega; seu som é japonês; sua bola é coreana; seu DVD é de Hong Kong; sua camiseta é da Tailândia; seus melhores jogadores de futebol são do Brasil; seu relógio é suíço; sua pizza, italiana. E você ainda vê o trabalhador imigrante como um desprezível estrangeiro?
(fonte: Observatório da Imprensa - Brickmann& Associados)